Sobre estar no piloto automático

Toda aquela ânsia e vontade de viver. Toda aquela energia para acordar pela manhã (quase na hora do almoço), sentar diante do computador e começar a escrever sobre devaneios aleatórios. O headphone explodindo em seus ouvidos com aquela música lançada na semana passada. Sempre sonhando com aquele futuro brilhante e promissor.

Era delicioso, confesso, todo aquele brilho e glamour da adolescência. Os pais ali, sempre dispostos a te ajudarem, seus irmãos te ouvindo, sem muitas responsabilidades que fossem além da tarefa da escola e afazeres domésticos. E sabe o que é pior, quando pensamos a respeito disso. Nós desperdiçamos muito tempo. Pois, mesmo tendo aqueles sonhos, aqueles momentos doces e, diga-se de passagem, fáceis, nós sempre reclamávamos.

Estávamos lá, vivendo os melhores anos de nossas vidas, até então, aguardando o melhor ano de nossa vida. Mas que ano é esse? Acreditávamos ser a nossa entrada na faculdade, ou o nosso diploma. A compra de uma casa, o primeiro carro, ou apenas a carteira de motorista. Mas… Mas o que falta, então?

Sentimos uma falta do tempo que apenas sonhávamos com a faculdade, e, agora que a conquistamos diariamente, parece que falta-nos um pedaço. Mas que pedaço é esse?

Comprei aquele computador. Comprei aquele celular. Posso comprar os livros que amo. Posso comprar roupas da moda. Posso passear. Posso namorar. Posso sair sem dar muita satisfação a alguém, mas, a troco de quê? Parece, por um instante, que aqueles sonhos de adolescente vão sumindo dentro de uma dimensão inacessível. Muitos deles, atingidos, mas nenhum pouco comemorados como eu imaginava que comemoraria. “Porque quando eu fizer isso, serei feliz.” Mas aonde está essa felicidade? Ela existe de fato?

Sinceramente, cheguei a um ponto que não sei responder mais nenhuma dessas questões, e apenas deixo o tempo levar e se encarregar de mudar alguns rumos ao meu redor. Tento perceber que o fato de amadurecermos faz com que passamos a enxergar as coisas de uma forma mais dura e prática, diferente daquele brilho deslumbrante que nossos olhos enxergavam na adolescência.

Mas, até que ponto esse é o melhor para nós? Nos fechamos para sentimentos, sendo eles bons ou ruins. Apenas nos esquivamos da capacidade de sentir, pelo fato de tornar o dia a dia mais suportável. Mas quem sabe se voltássemos a sentir, não viveríamos a magia outra vez. Pois, se não estamos em busca de algo, e se já conquistamos algo que estávamos buscando, o que diabos estamos fazendo aqui?

Onde estão seus sonhos de adolescência? Aquele lá, bem secreto, de ser feliz. Não adianta fingir, você se amarra em sentir mas diante dos outros monta uma muralha inacessível, para parecer “bem sucedido e maduro”. Mas, é legal ser maduro? E bem sucedido, o que é bem sucedido para você? Ser frio?

Está na hora de nos colocarmos acima de tudo. Está na hora de deixarmos nosso coração falar. Está na hora de comemorar as vitórias e traçar um futuro. Está na hora de viver.

Óh céus, ficar no piloto automático não estava entre os meus sonhos da adolescência… Pelo contrário…

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