Qual minha culpa ante a todo esse sofrimento?

O que me faz parar é essa tristeza que parece que nunca vai embora. Ela chega como avalanche levando os poucos motivos que me levam a ter esperança. Mas algo no fundo, bem no fundo, diz que preciso me permitir vivenciar  esse momento e que logo as coisas irão se ajeitar. E me pergunto: Qual minha culpa ante a todo esse sofrimento?

Deparo-me com momentos de alegrias, porém, permito-me lembrar dos momentos que mais me machucaram; das solidões em meio a uma multidão de pessoas desconhecidas, as vezes que alimentei uma mentira. Como posso viver de lembranças que me machucam e me entristecem?

Quando começo a pensar nas coisas boas da vida, os pensamos de medo me invadem como uma matilha atrás de uma presa, onde o animal corre depressa tentando encontrar um esconderijo que se sinta seguro de novo. Assim, vejo-me encurralada, às vezes, desesperada, para que tudo isso acabe logo e possa me tranquilizar e levar minha vida como sempre levei.

Como posso me sabotar dessa forma? Porque não posso me permitir ser feliz?

Deixar-me a ser amada, receber ajuda, permitir-me encontrar minha paz naquilo que eu acredito.

Minha luta pode ser difícil, mas não quero desistir agora. Eu quero encontrar o meu lugar, sair desse mundo de incertezas e medos, quero me permitir novos horizontes. Sair dessa autossabotagem diária, desse vazio que entristece minha alma.

E este é um desafio continuo, pois acordar todos os dias com uma tristeza no peito é como uma guerra, onde tende a enfrentar um exército de sentimentos de derrota e resistência.

Por isso, se permita ser amada, permita-se estar triste e vivenciar este momento. Pois na tristeza é onde olhamos para dentro de nós e identificamos coisas que não dão mais certo. Os tempos mudam, as pessoas também. Saber reconhecer seus próprios erros pode ser doloroso, mais é preciso para seguir em frente.

Não se sabote, deixe que as coisas boas aconteçam, não tenha medo de decepções e das mudanças. Faça da decepção combustível para traçar novas metas, e das mudanças um motivo para fazer diferente.

E te digo novamente: Qual minha culpa ante a todo esse sofrimento?

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