Por que fracassamos?

Se tem uma coisa que tudo mundo precisa concordar é isso: nos acostumamos com o fracasso. Não, não estou dizendo que adoramos fracassar, ou que isso seja um hobby. Simplesmente o que eu quero dizer é que acabamos não pondo tanto de nós naquilo que fazemos no dia a dia. É como se, de alguma forma, fizéssemos tudo direitinho para fracassar. Mas, afinal, por que fracassamos?

Parece que há um medo do sucesso, não é mesmo? Afinal, você já se perguntou o que fará quando atingir aquele seu “maior sonho”? Que passo dará depois? Como irá sustentar essa conquista? O que irá almejar em seguida?

Nossa vida é repleta de repetições. No meio delas vamos repetindo fracassos. Falhas que não cometemos uma única vez, mas sim, numa cadeia de equívocos que falam muito sobre nós. Falam sobre o que queremos e o que não queremos ser.

Inconscientemente acabamos ficando fadados a isso: um loop existencial que muitas vezes nem nos damos conta. Planejamos tantos passos, tantos objetivos e tantas metas, mas, nunca paramos para pensar em o que fazer quando o objetivo maior for alcançado.

“Eu quero ser um ótimo escritor”. Ok, você até planejou um passo a passo no excel para atingir o tal “patamar”. Porém, o que não tens colocado lá é: e quando eu atingir este lugar, como irei me autorizar e dizer que “Sim, sou um ótimo escritor?”

Sei que parece meio confuso, mas vamos lá, você vai conseguir entender o que quero dizer. Você lançou um livro maravilhoso, e sente-se um ótimo escritor. Mas daí em diante sente-se desprotegido, sem rumo, sem um próximo passo. “Pronto”, você pensa, “Mas e agora?”. E aí, temos a consequência clássica: sonhos deixados de lado por não saber mantê-los. Afinal, convenhamos, fracassar é mais fácil.

Não só mais fácil, fracassar é mais rápido

Na maioria das vezes, nem se quer permitimos que o objetivo idealizado seja atingido. Adoramos colocar empecilhos e culpar uma caralhada de coisas e nunca nós mesmos. Assim, o fracassar parece mais atrativo, uma vez que adoramos o rápido, não é?

Mas, vamos mais a fundo. Analisem aqui comigo… Muito além do “rápido” ser atrativo, tem outra coisa, mais profunda, que nos carrega ao incrível passo a passo para o fracasso: não nos autorizamos a conquistas.

Agora, no sentido inconsciente, é como se gostássemos de não conseguir. Pois o “atingir” algo nos leva a lugares estranhos, obscuros, difíceis e duros de manter. Não estamos preparados para sair da zona de conforto.

O conforto e o prazer que o pão de cada dia nos proporciona diz muito sobre como iremos trilhar nossa trajetória pela vida. Aí lhe pergunto: você está disposto até que ponto a ir além? Até que ponto o ir além não é algo que alimente demanda de outros?! Porque ainda tem este fragmento nos impedindo de ir em frente… A demanda alheia!

Sim, muitos passos em nossas vidas são dados – sem que a gente perceba – partindo de demandas de outros seres. Esses que se dizem “querer nosso bem”, mas que, muitas vezes, vêem um bem para si mesmos produzidos a partir de nós.

Mas, eita, e agora, o que fazer com tanta informação?!

Primeiramente, calma! Mas não uma calma a ponto de deixar como está e viver surfando sobre os fracassos planejados da vida. Mas uma calma de que, sim, se você quiser, é possível dar outras vias para suas estradas.

O primeiro passo é reconhecer

Reconheça que há muito em você a ser descoberto, desconstruído e até mesmo destruído. Não, não estou falando de autoconhecimento. Estou falando de algo além: o desconhecimento. Esse passo de não se reconhecer no seu discurso e perceber que o buraco é bem mais embaixo – e te garanto: ainda bem que o buraco existe! É esta falta que nos move.

Mas este reconhecimento é uma obrigação? Não, não e não! Se encarar como uma obrigação, partirá da ideia da demanda do outro na sua vida novamente. Tem que ser algo vindo do seu desejo. E olha, muitas vezes é bem difícil bancar nossos desejos.

Permita se ouvir. Vá além, vá a fundo! Faça uma análise de sua vida e entre em você. Descubra o que gosta e o porque daquele fracasso ser tão frequente. Descubra porque você comete os mesmos equívocos e quando eles acontecem.

A voz do inconsciente é sutil. Mas ela não para até ser ouvida.

Por que estamos acostumados a fracassar? O que não estamos escutando de nós?

E antes de almejar algo, calcular, planejar e preparar o passo a passo, se pergunte: aonde você não quer chegar?

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