Sobre o machismo da vida cotidiana

Recentemente, tem rolado pela internet um comentário muito machista, de um Deputado da bancada evangélica. Basicamente, o que mais chamou a atenção de todos foi o “Se o homem ficar em casa, então estão criando o protótipo do homem maricas hoje. O homem feminilizado. Mas o homem não foi feito para isso” que afirmou. Não vou me delongar sobre a entrevista nem nada disso, quem quiser ler mais sobre clique aqui.

O que eu quero, na verdade, é colocar em pauta – novamente – este assunto tão rude e costumeiro. O machismo. O machismo da vida cotidiana! Pois sim, sabemos que o machismo existe, porém, não se trata apenas de espancar a mulher ou estuprá-la. As pessoas simplesmente esquecem que o machismo é praticado cotidianamente, em todos os âmbitos de nossas vidas. 

Seja na escola, no ônibus, no trabalho, na rua ou na faculdade – ou ainda, seja em casa! Ele está presente corroendo a força de muitas mulheres, silenciando-as e fazendo com que as mesmas sintam-se loucas e “paranoicas”, afinal, adoramos nos vitimizar, não é?

Não, não é! Esse que é o problema. Diariamente a nossa luta tem sido estilhaçada por aí como algo “ruim” ou algo de “mal comida”. Quer dizer que eu defender os meus direitos significa que sou mal comida? Hmmm.

O homem que “ajuda” em casa (conceito de ajudar fica complicado nesse contexto, embora todos usem-no) está sendo feminilizado. Mas pera lá! Temos duas questões em uma mesma frase: começando pelo ajudar: se o homem suja, ele limpa sim! E isso não é ajuda! É obrigação! E, a segunda questão, do feminilizado: é como se fosse algo pejorativo! Isso mesmo. Ser mais “feminino”, ou como diz o Deputado, “marica” é algo pejorativo. Onde já se viu alguém parecer, em alguns traços, com uma mulher, né?

Portanto, esta discussão está looooonge de terminar. E sei que tem gente que concorda muito com os ideais desse cara. Infelizmente. E, enquanto vão concordando com todas essas abobrinhas por aí, mulheres vão sofrendo, dentro de suas casas, com maridos gritando e ordenando serviços de “mulher”, pois “Eu estou com fome, faça comida pra mim” – e não importa se você também trabalhou o dia inteiro como eu, só eu tenho o direito de sentar a bunda no sofá e descansar, você? Que se exploda!

Infelizmente se tem uma coisa que deveria estar presente nessa frase, seria: “Homem não foi feito para receber comida na boca e roupa limpinha de mulher que trabalha 8 horas por dia fora e mais 6 horas em casa. E se você se sente um homem que não foi feito para os serviços domésticos, meu amigo, sinto lhe dizer, mas viva numa casa imunda, comendo nada e vestindo folhas de árvores. Quem sabe assim você perceba que pra lavar uma roupa, varrer uma casa, ou cozinhar um almoço nós não usamos a vagina”.

Espero abrir alguma discussão com isso – ou não -.

Só quero que o importante seja dito com relação a declaração do Deputado: Ser marica não é ruim e homem não precisa ajudar em casa. Homem precisa fazer parte da rotina de casa, e ponto.

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