Eu não entendo

Há coisas que eu não entendo, e não é pela dificuldade de compreensão, mas pela falta de sentido. A vida é mesmo uma roda gigante, no que diz respeito aos seus altos e baixos. Pessoas vêm e ficam, vem e vão. Ir e vir é o que acontece com maior frequência, em uma rotina doentia que nos engole cada dia mais.

Está certo, é inevitável. Mas, das coisas que eu não entendo, está a necessidade de vir para plantar discórdias, para fazer fofocas, para nada acrescentar. Vir de forma superficial e fria. No fim das contas as pessoas procuram umas as outras por conveniência, constatei.

Há pessoas que chegam, depois de um longo período de desaparecimento, mutilando seus ouvidos – ou melhor, em tempos de redes sociais, seus olhos – escrevendo com novidades sobre a vida alheia, seja um desafeto dos anos escolares ou sobre alguém que hoje nem lhe interessa mais, por mera necessidade de informar.

Se a fulana de tal terminou o namoro pela milésima vez, ou se fulano de tal que fez parte da vida de alguém por um tempo, foi visto feliz ou triste, sóbrio ou bêbado, sozinho ou acompanhado. No fim das contas, o que importa?

Se por um minuto as pessoas saíssem do caos que o mundo se tornou, e pensassem antes de falar, ou se dessem ao trabalho de um “Oi, como você está?”, perceberiam a inconveniência de certos comentários, e a falta de importância que com o tempo, certos assuntos ganharam na vida uma das outras.

Das coisas que eu não entendo, no fim das contas, compreendo muito bem, mas em meio ao caos, me permito um “fazer de conta que”: fazer de conta que não vi, não ouvi, não compreendi. Releve certos comentários – e informações -, e retribua com um sorriso, pense, ainda que não fale: “Eu estou bem sim, e você?”. Certas coisas que não merecem seu tempo, não há mais tempo a perder!

Leia também: Devaneios.

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