“13 reasons why” o que há de positivo e negativo?

Segundo fontes do ClicRBS, a série “13 reasons why” pode nos proporcionar aspectos positivos, apesar das críticas estarem demonstrando uma propensão à pontos negativos da mesma. Desde o início do mês de Abril, voluntários do Centro de Valorização da Vida afirmam um intenso crescimento na quantidade de contatos com pedidos de ajuda. Muitos deles são de adolescentes com pensamentos suicidas e sintomas depressivos. Inclusive, muitos afirmam sentirem-se como Hannah.

 

Visto dessa forma, podemos então afirmar que a série, independente das críticas, tem proporcionado uma questão social muito positiva: o debate sobre o suicídio na adolescência e do quanto isso não é a solução. Há diversas afirmações de especialistas quanto ao “encorajamento” que a série pode provocar em pessoas que estejam passando por situações difíceis como Hannah. Porém, atenho-me em dizer que esta não é minha opinião. A cena do suicídio no último episódio não está demonstrada de uma maneira “glorificada”, como se Hannah fosse corajosa e o ato do suicídio ser algo romântico. Muito pelo contrário: a cena retrata a dor do suicídio, e todo o enredo da série demonstra que esta atitude não seria a melhor opção.

É fato que as cenas possam ser chocantes para algumas pessoas, dependendo do momento em que estão vivendo e de qual suporte possuem. Dessa forma, tratando-se de adolescentes, acredito que os pais devessem proporcionar uma aproximação dos mesmos ao assistirem o seriado. Atualmente vemos tantos relacionamentos distanciados que sim, uma série pode proporcionar consequências a sujeitos que estejam passando por grandes sofrimentos.

Porém, acho muito selvagem esta acusação as cenas, ao enredo, e até mesmo, a Hannah. É como se fosse uma tentativa de busca de um culpado, como se alguém pudesse culpar-se disso. A série pode ser chocante sim! Mas acho que o seu viés é muito mais para abrir os olhos das pessoas de como o suicídio pode acarretar fortes transformações nas pessoas que convivem conosco, mesmo que possamos achar que não somos amados por elas.

Cresci vendo ao meu redor muitas críticas ao mundo adolescente: “aborrescente” – o termo que mais ouvi. A sociedade em si banaliza os sentimentos de crianças e adolescentes, afirmando que os mesmos ainda não sabem o que é sofrer ou o que é ter problemas; que os mesmos só querem chamar atenção; ou o pior de tudo: que isto é apenas falta de surra.

Sinceramente não sei o porquê de acharem que quando somos crianças ou adolescentes não temos sentimentos dignos de respeito e atenção. Como se apenas os adultos tivessem dilemas a serem resolvidos, afinal, adolescente não paga conta – mas por que apenas pagar contas e arcar com essas responsabilidades seria um problema?

Enquanto tentamos descobrir a nós mesmos em meio ao mundo, dezenas de mudanças rondam as nossas vidas. Essas mudanças podem ser patológicas ou não, dependendo da subjetividade de cada um. Uma coisa mais a ser discutida: porque as pessoas insistem em medir a dor alheia? 

Em meio a esses paradigmas vamos caminhando ao mundo onde “crianças são anjinhos e adolescentes não possuem problemas dignos”. E é isto que a série quer ir contra: Existem problemas no universo adolescente que podem desencadear patologias muito mais impactantes que problemas ditos “de adulto”.

Talvez estejamos vivendo um momento que pouco a pouco esta informação possa propagar-se – e tomara que se propague.

Respeite o sofrimento alheio. Atente-se a quem está próximo de você. Mas, não me entendam mal: não digo para vigiar seus filhos adolescentes, refiro-me ao seu enlace com o mesmo.  Todos temos problemas, e, da mesma forma, todos lidamos de maneiras diferentes.

Hannah foi mais uma Paula, Catia, Armando ou João que vemos por aí. Numa tentativa de cessar a dor recorrem ao fim. Porém, após suas partidas questões se propagarão: por que? Quando? Quem? Onde?

Portanto, talvez um começo seria o enlace do “como você está?” ao invés do “você é adolescente, não tem do que reclamar!”

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ONDE BUSCAR AJUDA

Centro de Valorização da Vida
Oferece ajuda por telefone, chat, skype, e-mail e presencialmente
Telefones 141 (24 horas, para todo o país) e 188 (gratuito, apenas para o RS)
www.cvv.org.br
facebook.com/cvv141

SITES COM ORIENTAÇÃO

1- Setembro Amarelo
2- Movimento Conte Comigo
3- Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio

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